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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sócrates -Teoria das ideias

          No que se refere a teoria das ideias, filósofos como Sócrates (470-399 a.C), Platão (427-347 a.C), Aristóteles (384-322 a.C) foram de fundamental importância com suas teorias para a formação do conhecimento científico, e, consequentemente, a evolução dos registros históricos. As citações a seguir, serão um pouco extensas, mas de grande valia para o enriquecimento intelectual, espero, portanto, contribuir com esse propósito.
          Nesse contexto, para efeito de entendimento do quão importante foram esses pensadores para a nossa geração, e, evidentemente continuarão sendo para as gerações futura, Gaarder (2010), nos informa sobre a vida de cada um desses filósofos. Começando por Sócrates, o autor enfatiza que:

"Sócrates era feio de doer. Era baixo e gordo, tinha olhos que pareciam querer saltar da órbita e o nariz arrebitado. Mas seu interior era 'absolutamente maravilhoso', conforme diziam. E mais: diziam que se poderiam vasculhar o presente e o passado e não se encontraria ninguém comparável a ele. [...] Apesar disso, Sócrates foi condenado à morte por sua atividade como filósofo. [...] Conhecemos a vida de Sócrates sobretudo através de Platão, seu discípulo e também um dos maiores filósofos da história. [...] O ponto central de toda atuação de Sócrates como filósofo estava no fato de que ele não queria propriamente ensinar as pessoas. Para tanto, em suas conversas, Sócrates dava a impressão de ele próprio querer aprender com seu interlocutor. Ao 'ensinar', ele não assumia a posição de um professor tradicional. Ao contrário, ele dialogava, discutia. [...] Geralmente, no começo de uma conversa, Sócrates só fazia perguntas, como se não soubesse de nada. Durante a conversa, frequentemente conseguia levar seu interlocutor a ver os pontos fracos de suas próprias reflexões. Uma vez pressionado contra a parede, o interlocutor acabava reconhecendo o que estava certo e o que estava errado. [...] Dizem que a mãe de Sócrates era parteira, e o próprio Sócrates costumava comparar a atividade que exercia com a de uma parteira. Não é a parteira que dá à luz o bebê. Ela só fica por perto para ajudar durante o parto. Sócrates achava, portanto, que sua tarefa era ajudar as pessoas a 'parir' uma opinião própria, mais acertada, pois o verdadeiro conhecimento tem de vir de dentro e não pode ser obtido espremendo-se os outros. Só o conhecimento que vem de dentro é capaz de revelar o verdadeiro discernimento. [...] E justamente porque fingia que não sabia de nada , Sócrates forçava as pessoas a usar a razão. Sócrates era capaz de se fingir ignorante, ou de mostrar-se mais tolo do que realmente era. Chamamos a isto de ironia socrática. Foi assim que ele conseguiu expor as fraquezas dos atenienses. E isto podia acontecer bem no meio da praça do mercado, no meio de toda a gente. Um encontro com Sócrates podia significar expor-se ao ridículo, ao riso do grande público. [...] Não é de espantar, portanto, que ele incomodasse e irritasse muitas pessoas, sobretudo os que detinham o poder na sociedade. Sócrates dizia que Atenas era como uma égua preguiçosa e ele um mosquito que lhe picava o flanco para mostrar-lhe que ela ainda estava viva. [...] Ele sempre dizia que ouvia uma voz divina dentro de si. Sócrates protestava, por exemplo, contra o fato de as pessoas serem condenadas à morte. Além disso, recusava-se a denunciar seus inimigos políticos. No fim, isto lhe custou a própria vida. [...] No ano de 399 a. C. ele foi acusado de 'corromper a juventude' e de 'não reconhecer a existência dos deuses'. Por uma maioria apertada, Sócrates foi considerado culpado por um júri de cinquenta pessoas. [...] Ele podia muito bem ter pedido clemência. E poderia ter salvo sua vida se concordasse em deixar Atenas. mas se tivesse feito isto, não teria sido Sócrates. O ponto é que ele considerava sua própria consciência - e a verdade - mais importante do que sua vida. Sócrates afirmou o tempo todo que tudo o que fizera fora para o bem do Estado. Não adiantou. Pouco depois, na presença de seus amigos mais íntimos, bebeu um cálice de cicuta. [...] Alguns séculos mais tarde, um filósofo romano - Cícero - disse que Sócrates havia trazido a filosofia do céu para a terra, transformado cidades e casas em sua morada e levado as pessoas a refletir sobre a vida e os costumes, sobre o bem e o mal. [...] Sócrates se autodenominava filósofo, no sentido mais verdadeiro da palavra. Um 'filo-sofo' é, na verdade, um 'amante da sabedoria', alguém cujo objetivo é chegar à sabedoria. Um filósofo sabe muito bem que, no fundo ele sabe muito pouco. Justamente por isto ele vive tentando chegar ao verdadeiro conhecimento. Sócrates foi uma dessas raras pessoas. Ele sabia muito bem que nada sabia sobre a vida e o mundo. E... o fato de saber tão pouco não o deixava em paz. [...] 'Mais inteligente é aquele que sabe que não sabe', o próprio Sócrates dizia que a única coisa que sabia era que não sabia de nada. Então tornou-se filósofo, isto é, alguém que não desiste, que busca incansavelmente chegar ao conhecimento. [...] Dizem que um dia um cidadão de Atenas perguntou ao oráculo de Delfos quem seria o homem mais inteligente de Atenas. O oráculo respondeu: Sócrates. quando Sócrates ficou sabendo disso, admirou-se, para dizer o mínimo. [...] Imediatamente foi até a cidade e procurou um homem que ele e outras pessoas consideravam muito inteligente. Mas quando viu que este homem não era capaz de responder claramente às suas perguntas, Sócrates entendeu que o oráculo tinha razão. [...] Para Sócrates era importante encontrar um alicerce seguro para os nossos conhecimentos. Ele acreditava que este alicerce estava na razão humana. E porque acreditava muito na razão humana, Sócrates foi também um racionalista convicto. [...] Para ele, quem sabe o que é bom acaba fazendo o bem. Sócrates acreditava que o conhecimento do que é certo leva ao agir correto. E só quem faz o que é certo - assim dizia Sócrates - pode se transformar num homem de verdade. Quando agimos erroneamente, isto acontece porque não sabemos como fazer melhor. Por isso é tão importante ampliar nossos conhecimento. Sócrates estava preocupado justamente em encontrar definições claras e válidas universalmente para o que é certo e o que é errado. Contrariamente aos sofistas, ele acreditava que a capacidade de distingui entre o certo e o errado estava na razão, e não na sociedade. [...] Sócrates achava impossível alguém ser feliz se agisse contra suas próprias convicções. E aquele que sabe como se tornar uma pessoa feliz certamente tentará fazê-lo. Por isso é que faz a coisa certa aquele que sabe o que é certo. pois ninguém deseja ser infeliz, não é mesmo? [...] Há muitas pessoas que mentem o tempo todo, roubam e caluniam. Muito bem, elas sabem perfeitamente que isto não é certo - ou justo, se você preferir. Mas você acha que isto as deixa felizes? Sócrates achava que não". (GAARDER, 2010, pp. 79-85)

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