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domingo, 7 de setembro de 2014

"Um Brasil, muitas Áfricas"


         Um Brasil, muitas Áfricas

          No Brasil colonial, com a chegada dos africanos, que vinham de várias partes da África, houve uma miscigenação de culturas. As quais foram de fundamental importância para a formação do Brasil que hoje presenciamos e vivemos.
        Segundo SILVA (2003), “Para o Brasil foram trazidos africanos de mais de uma centena de povos diferentes”. Podemos perceber a diversidade de culturas africana no Brasil, através dos costumes que já estão enraizados no cotidiano das pessoas através das danças – especificamente o Samba e outras como o Maxixe, o Pagode, o Choro e a Bossa nova; Instrumentos musicais, como o Berimbau, a Cuíca e o Atabaque; da culinária, - através de seus temperos, - como o azeite de dendê, o leite de coco, a pimenta, bem como as panelas de barro e as colheres de pau utilizadas na preparação desses alimentos; da religião, - por meio da umbanda e do candomblé; entre outros. 
      Além dos costumes especificados acima, os africanos contribuíram com suas técnicas em escavação de minas, feitio de jóias de grande beleza, e, na agricultura, com a criação de gado fora dos estábulos, solto no campo, espalhando esse conhecimento Brasil a fora. Ainda, na parte agrícola, aplicaram os seus saberes no cultivo do arroz, na plantação de muitos vegetais como o dendê, a malagueta, o maxixe e o quiabo, que enriquecem a culinária brasileira. A cultura africana na culinária brasileira é muito forte. A exemplo da fritura do acarajé num fogareiro, diante do freguês.         
      Nas comemorações festivas, lembra-se dos desfiles de reis, com seus enormes guarda-sóis coloridos, que, no Brasil se reproduziram nos maracatus, nas congadas e nos reisados. Assim, com essa diversidade de conhecimentos aplicados no Brasil pelos vários grupos africanos, formando uma cultura forte e unicamente brasileira, tornamo-nos conhecidos e amados por muitos países.        
          Para o autor, “Os vários grupos iorubás e, ainda mais, os ambundos tiveram grande importância na formação do Brasil.”
          No que se refere à contribuição cultural por parte dos africanos Iorubas na formação do Brasil, podemos perceber a sua grande influência através do Candomblé, que tem sua formação cultural aqui no Brasil, especificamente na Bahia e que foi introduzido pelos negros Iorubas. O Candomblé é uma religião, onde seus adeptos cultuam os orixás, deuses associados à força da natureza, e que suas cerimônias são realizadas nos chamados terreiros, também conhecidos como roças. Essa religião tem grande influência no Brasil. Segundo pesquisas, atualmente pelo menos três milhões de brasileiros revelam-se praticantes deste culto. Salvador é o grande centro desta prática, com aproximadamente 2230 terreiros oficialmente registrados Pela Federação Baiana de cultos Afro-Brasileiros[1].  
       Em relação aos Ambundos, no que diz respeito a sua contribuição na formação do Brasil, segundo a Wikipédia[2], “Boa parte dos mais de 4 milhões de escravos traficados para o estrangeiro entre os séculos XVI e XIX (especialmente para o Brasil) eram Ambundu, já que este foi o grupo étnico onde a secular presença portuguesa na “cabeça de ponte” de Luanda teve mais impacto.”
“[...]A presença dos Ambundos na história angolana é marcante e sua língua, com suas várias formas dialetais contribuiu imensamente na formação do léxico do português falado no Brasil” (Nei Lopes – Diáspora Africana, p.56)[3]  
       Nesse contexto, não há como negar que e esses grupos (iorubás e ambundos), tiveram peso fundamental na formação do Brasil. 

Fontes:
Acessado em: 21/10/2013
Acessado em: 21/10/2013
Acessado em: 21/10/2013
Acessado em: 21/10/2013
Acessado em 21/10/2013

sábado, 6 de setembro de 2014

REDAÇÃO: Movimento Estudantil e dos Intelectuais da África

REDAÇÃO: Movimento Estudantil e dos Intelectuais da África


A independência dos países africanos passou por um longo processo de resistências e lutas por parte dos africanos, tendo como contribuintes desse desenvolvimento histórico, o movimento estudantil, os intelectuais e a participação de várias entidades políticas como PLUA, PCA, a MPLA e o FRAIN. Nesse contexto de independência dos países africanos, antes da formação dos grupos citados, faltava-lhes uma unidade de organização e objetivos estratégicos para um efetivo avanço nas conquistas de suas liberdades.
Com o advento da Segunda Guerra Mundial, devido ao contato com os brancos, os africanos começaram a perceber que os europeus eram tão humanos quanto eles, pois os europeus, assim como eles, “sentiam fome, sede, medo e conflitavam-se entre si”. Com essa experiência e os conhecimentos adquiridos em guerra, começaram a formar movimentos de libertação. Esse sentimento anti-colonialista adquirido pelos africanos teve reforço com os ensinamentos das escolas europeias de que todos são iguais. E, diante dessa afirmação, os africanos começaram a exigir o que de fato se afirmava. Portanto, esse sentimento de liberdade, atingiu vários grupos: os sindicatos, as igrejas, os intelectuais, os movimentos estudantis e os paridos políticos. Dentre esses movimentos, os intelectuais foram de fundamental importância, devido suas ideias e influência na formação de uma nova mentalidade. Nesse contexto, alguns intelectuais como Léopold Senghor, Aimé-Césaire – criadores do movimento denominado negritude, nos anos 30 – possibilitou o intercâmbio entre os intelectuais negros, formando-se movimentos com a “consciência” de que eram negros e que precisavam buscar seus valores, como forma de combater os preconceitos disseminados pelos brancos. Léopold Senghor foi defensor do socialismo aplicado à realidade africana, lutou pelo desenvolvimento da agricultura, o combate à corrupção e manteve uma política de cooperação com a França. Recebeu o Grande-Colar da Ordem Militar de Sant’Iago da Espanha a 13 de março de 1975.
Outro movimento que também desempenhou relevante importância para esse processo de independência foi o movimento estudantil formado por estudantes africanos, oriundos das colônias inglesas que se deslocavam para a Inglaterra e França com o propósito de se prepararem para as atividades políticas e evitar o isolamento. Mesmo sobre forte fiscalização portuguesa, na tentativa de evitar movimentos estudantis, os africanos que foram estudar em Portugal, também organizaram um movimento estudantil com o objetivo de conhecer melhor seu país de origem. Esse movimento, que surgiu em Angola nos anos 40, chamado “Vamos descobrir Angola” tinha como objetivo descobrir a cultura africana por meio da antropologia, sociologia e outras áreas discursivas. Pois os estudantes africanos acreditavam que só após formados podiam contribuir para modificar o quadro colonial, e, para tanto, precisavam conhecer bem a cultura angolana. Devido às dificuldades encontradas na metrópole – falta de acolhimento – os estudantes africanos criaram a Casa de Estudantes do Império (CEI) em 1944 e o Centro de Estudos Africanos (CEA) em 1955, em busca de relações mais solidárias. Nessas associações, debatiam-se os problemas das colônias. Dentre esses estudantes, preocupados em resolver tais problemas, destacou-se Agostinho Neto, expressando sua preocupação através de seus depoimentos e poemas, os textos poéticos de Agostinho Neto são considerados “históricos e de história”, que documenta a existência, entre 1945 e 1956 do movimento popular de luta de libertação de Angola; Neto sofreu várias perseguições ao longo de sua vida política sendo preso várias vezes, e, diante desses acontecimentos, teve o apoio de renomados intelectuais com manifestações de protestos contra a prisão de Agostinho Neto; ocupou vário cargos relevantes, entre eles, o mais importante, em 1975, é proclamado presidente, continuando Comandante-em-Chefe das forças Armadas Populares de Libertação de Angola e Presidente do MPLA.
Frantz Fanon, também foi um importante influente pensador do século XX que contribuiu com seus estudos sobre os temas da descolonização e da psicopatologia da colonização. Suas obras foram inspiradoras no processo de movimentos de libertação anti-coloniais. Através de seus estudos analisou as consequências psicológicas da colonização, entre os dois meios – colonizador e colonizado, bem como a descolonização. É considerado um dos fundadores do pensamento terceiro-mundista.
O movimento “Vamos descobrir Angola” foi um movimento cultural formado por jovens negro, brancos e mestiços insatisfeito com a literatura vigente, considerada distante da realidade, uma literatura colonial que falseava a realidade vivenciada em Angola. Este grupo de intelectuias, estavam dispospos em redescobrir o seu país em todos os seus aspectos, através de um trabalho conjunto e organizado. Por meio desse trabalho, pretendia-se estudar o passado local onde se iria buscar as verdadeiras raízes angolanas, para poder construir a Angola do futuro.
Com essas lutas pela independência, boa parte dos países africanos ficaram independentes nos anos 50 e 60.  


Fontes:


(Acesso: 14/07/14)


(Acesso: 14/07/14)


(Acesso: 15/07/14)


(Acesso: 15/07/14)


(Acesso: 15/07/14)

sábado, 23 de agosto de 2014

História da África _Comentário Dissertativo


História da África _Comentário Dissertativo


A História da África é cercada por imaginações, fábulas, mitos, crenças bíblicas, superstições, fraudes literárias, desprezo e racismo ao povo africano. No período medieval, a falta de conhecimento e medo de navegar pelo Oceano, bem como das regiões abaixo do Equador, alimentavam nos europeus as crenças negativas sobre os africanos, como afirma Thiago Stering: “[...] Monstros, terras inóspitas, seres humanos deformados, imoralidades, religiões e hábitos demoníacos, são denominações muito presentes nos relatos e descrições dos viajantes desse período.” Percebem-se nos relatos imaginários ocidentais correspondentes à África, que tais pesquisadores europeus, buscavam conciliar os fatos africanos as suas crenças e superstições.
Portanto, quando se refere aos povos africanos, tendo como base informações mais recentes, percebe-se que alguns relatos são puramente racistas como afirma uma citação de LANGER: “[...] os africanos são considerados uma degeneração dos primeiros povoadores brancos, vindos do Oriente, motivados por uma súbita paralisação da inteligência.” (LANGER, p. 13).
Devido aos monumentos encontrados na África, os pesquisadores europeus alegam que o passado africano contém uma história de povos brancos, e que, os africanos não seriam capazes de fazer tão belos monumentos. Conforme cita Langer: “Totalmente convicto das ideias de que os africanos não poderiam ter erigido monumentos sofisticados na África, Bent perpetuou a ideia de que os fenícios erigiram as enigmáticas construções da Rodésia em tempos bíblicos resgatando as minas de Salomão e a rainha de Sabá.” Outros pesquisadores, em pleno século XX, tentam preservar as crenças de que a África não possuía história, que a história da África só passou a existir após a chegada dos europeus, e de que, tudo produzido lá era apenas uma cópia inferior do que existia em lugares predominantes.  Sendo assim, fica evidente que os europeus tentam, através de seus escritos, impor sua cultura de superioridade ao povo africano, passando a ideia de que eles são inferiores e incapazes.
Estudiosos da antiguidade, como Cláudio Ptolomeu afirmava que o clima insuportável seria o responsável pelas deformações e incapacidades físicas dos povos que ali viviam. E, devido a essas crenças, houve uma forte influência no modo de pensar do período medieval, com crenças e comparações absurdas sobre a áfrica e os africanos, chegando ao ponto de comparar a África com o inferno e os africanos com o demônio, devido à temperatura do local e a cor da pele dos mesmos.
O lugar ocupado por África no imaginário Ocidental é visto por muitos pesquisadores como algo misterioso e digno de reflexão a exemplo da batalha de Alcácer Quibir (batalha dos três reis), - que é recordada de forma lendária –, onde, no espaço de uma hora morreram três reis poderosos, na tentativa de conquistar a áfrica, como afirma o médico judeu de Abd AL- Malik, na citação de Neno Leite:
“É um grande segredo divino que tenham morrido, no espaço de uma hora, três reis dos quais dois eram tão poderosos. E é ainda maior milagre e quase verdadeiro prodígio que um rei morto tenha vencido, em tão pouco tempo, um rei de Portugal. Todos os cavaleiros portugueses, desde o filho do Duque de Bragança até ao escudeiro, foram mortos ou aprisionados. Foi uma coisa espantosa e jamais vista.” (Neno Leite, 2011, p. 4) 
A História da África é de fundamental importância para a historiografia da escravidão no Brasil, começando com as grandes navegações dos portugueses em busca de ouro na África, deu-se início a um comércio de grande lucratividade – a mão de obra escrava, que seria aproveitada pela escassez de mão de obra no período colonial no Brasil, e que, devido a essa mão de obra escrava, seria deixada como herança a riqueza de uma diversidade de culturas que só enriquece o país. Como afirma o site educadores.diaadia[1], numa citação de Araujo:
“Penso, por fim, na ambiguidade desta nossa história de que são vítimas os negros, numa sociedade que os exclui dos benefícios da vida social, mas que, no entanto, consome os deuses do candomblé, a música, a dança, a comida, a festa, todas as festas de negro, esquecida de suas origens. E penso também em como, em vez de registrar simplesmente o fracasso dos negros frente às tantas e inumeráveis injustiças sofridas, esta história termina por registrar a sua vitória e a sua vingança, em tudo o que eles foram capazes de fazer para incorporar-se à cultura brasileira. Uma cultura que guarda, através de sua história, um rastro profundo de negros africanos e brasileiros, mulatos e cafuzos, construtores silenciosos de nossa identidade.” 
 
É lamentável, em pleno século XXI, ainda existirem preconceitos direcionados à pessoas que contribuíram imensamente para a construção da riqueza deste país, através de suas forças de trabalho e diversidades de culturas.


[1] http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/2010/Historia/monografia/3lima_miguel_nonografia.pdf