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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Platão - Teoria das Idéias

         
Após uma breve narrativa sobre Sócrates, continuamos nossa caminhada em busca de informações sobre aquele que foi o responsável pelos registros do mesmo - Platão -, o qual foi discípulo de Sócrates durante muito tempo, e é considerado um dos maiores filósofos da humanidade. Segundo especialistas no assunto, Platão sofreu um grande desgosto quando, aos 29 anos de idade, presenciou o julgamento e a execução do seu mestre e amigo. Seus ensinamentos e ideias são seguidos até hoje e, também discutidos entre muitos historiadores. Platão criou sua própria escola de filosofia, a qual, deu o nome de "Academia", termo utilizado por nós em pleno século XXI. Portanto, continuando nossos estudos, Gaarder (2010), nos faz uma descrição do grande homem e filósofo Platão:
"Patão (427-347 a. C.) tinha vinte e nove anos quando Sócrates teve de beber o cálice de cicuta. Por muito tempo ele havia sido discípulo de Sócrates e acompanhou de perto o processo movido contra seu mestre. O fato de Atenas ter condenado à morte seu filho mais nobre não só lhe deixou marca para toda a vida como também determinou a direção de toda a sua atividade filosófica. [...] Para Platão, a morte de Sócrates deixou bem clara a contradição que pode existir entre as efetivas relações dentro de uma sociedade e a verdade e o ideal. [...] A primeira ação de Platão como filósofo foi a publicação do discurso de defesa de Sócrates. Nele Platão torna público o que Sócrates havia dito ao grande júri. [...] o próprio Sócrates jamais escreveu uma linha sequer. Muitos dos filósofos pré-socráticos escreveram suas ideias, mas grande parte deste material escrito não foi conservado para a posteridade. Quanto a Platão, temos razões para crer que todas as suas obras mais importantes foram preservadas. (Além do discurso de defesa de Sócrates, Platão escreveu também uma coletânea de cartas e mais de trinta diálogos filosóficos. O número de diálogos atribuídos a Platão ainda é discutido pelos historiadores.) E o motivo de seus escritos terem sidos conservados para a posteridade pode ser atribuído também ao fato de Platão ter fundado sua própria escola de filosofia nos arredores de Atenas, num bosque que levava o nome do legendário herói grego Academos. Por causa disso, a escola de filosofia de Platão recebeu o nome de Academia. (Desde então, centenas de academias foram fundadas no mundo inteiro. Até hoje empregamos as expressões 'acadêmicos' e 'disciplinas acadêmicas'.) [...] Na academia de Platão ensinava-se filosofia, matemática e ginástica, embora 'ensinar' talvez não seja a melhor palavra nesse contexto. isto porque também na academia de Platão o diálogo vivo era o que mais importava. Assim, não é por acaso que o diálogo foi a forma escolhida por Platão para registrar por escrito sua filosofia. [...] Platão interessava-se pela relação entre aquilo que, de um lado, é eterno e imutável, e aquilo que, de outro, 'flui'. (Exatamente como os pré-socráticos, portanto!) [...] também Sócrates e os sofistas ocupavam-se de certa forma com a relação entre aquilo que, de um lado, é eterno e imutável, e aquilo que, de outro, 'flui'. E tocavam neste ponto quando se tratava da moral do homem e dos ideais ou virtudes da sociedade. De modo muito geral, os sofistas achavam que a questão sobre o que é certo ou errado modificava-se de cidade-Estado para cidade-Estado e de geração para geração. para eles, portanto, essa questão de certo ou errado era 'algo que fluía'. Sócrates não podia aceitar isto. Ele acreditava em regras ou normas eternas, que governavam o agir dos homens. Se usarmos apenas a nossa razão - dizia ele -, poderemos reconhecer todas essas normas imutáveis, pois a razão humana é precisamente algo eterno e imutável. [...] E agora vem Platão. Ele se interessava tanto pelo que é eterno e imutável na natureza quanto pelo que é eterno e imutável na moral e na sociedade. [...] para Platão tratava-se, em ambos os casos, de uma mesma coisa. Ele tentava entender uma 'realidade' que fosse eterna e imutável. E, para ser franco, é para isto que os filósofos existem. (E exatamente por isso nem sempre são vistos com bons olhos!) Os filósofos não se interessam muito por ... coisas efêmeras e cotidianas. Eles tentam mostrar o que é 'eternamente verdadeiro', 'eternamente belo', e 'eternamente bom.' [...] Com isto podemos ter uma vaga ideia dos contornos do projeto filosófico de Platão. A partir de agora vamos tratar de um ponto de cada vez. Vamos tentar entender um raciocínio extraordinário, que deixou marcas profundas em toda a filosofia europeia surgida depois. [...] Empédocles e Demócrito já tinha nos chamado a atenção para o fato de que, apesar de todos os fenômenos da natureza 'fluírem', havia 'algo' que nunca se modificava (as 'quatro raízes' ou os 'átomos'). Platão também se dedicou a este problema, mas de forma completamente diferente. [...] Platão achava que tudo o que podemos tocar e sentir na natureza 'flui'. Não existe, portanto, um elemento básico que não se desintegre. Absolutamente tudo o que pertence ao 'mundo dos sentidos' é feito de um material sujeito à corrosão do tempo. Ao mesmo tempo, tudo é formado a partir de uma forma eterna e imutável. [...] Para Platão, este aspecto eterno e imutável não é, portanto, um 'elemento básico' físico. Eternos e imutáveis são os modelos espirituais ou abstratos a partir dos quais todos os fenômenos são formados. [...] Platão... chegou, portanto à conclusão de que 'por cima' ou 'por trás' de tudo o que vemos à nossa volta há um número limitado de formas. A estas formas Platão deu o nome de ideias. [...] Platão acreditava numa realidade autônoma por trás   do 'mundo dos sentidos'. A esta realidade ele deu o nome de mundo das ideias. Nele estão as 'imagens padrão', as imagens primordiais, eternas e imutáveis, que encontramos na natureza. Esta notável concepção é chamada por nós de teoria das ideias de Platão". (GAARDER, 2010, pp. 96-100)

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