D’ARAUJO,
Maria Celina. O Segundo Governo de
Vargas 1951-1954: democracia, partidos e crise política. 2. ed. São Paulo:
Ática, 1992. 206 p. (Série Fundamentos; 90)
Resenhado
por Mailson Pedro Português
Lamentavelmente, quando se refere a
estudos de governos da década de 50 do século XX, como afirmou D’Araujo,
estudos mais sistemáticos a cerca dos Governos Dutra (1946-50) e Vargas
(1951-54), são precários. Já em relação ao período Kubtschek, segundo a autora,
foram elaboradas algumas pesquisas.
No que se refere ao governo de
Vargas, conforme a autora, das informações existentes da época, “[...]
depreende-se que as versões mais correntes costumam dividir o período
constitucional de Vargas em dois momentos distintos: o primeiro iria de 1951
até meados de 1953, e seria marcado por uma política de conciliação com os
setores conservadores, [...] esse primeiro momento do Governo estaria
configurado por conflitos internos aos setores dominantes, pela aliança com os
setores médios e por um acomodamento das massas frente ao governo. A partir de
1953, com o recrudescimento do movimento de massas, alteram-se a aliança de
classes e a política de conciliação do Governo. Esse segundo momento seria
marcado por uma orientação mais trabalhista, voltada para os interesses
populares, em detrimento da conciliação com os setores conservadores.” p.21
Pelas
informações da época, percebe-se que o Governo de Vargas tentava agradar os
dois lados: o da burguesia e o da classe operária. Provocando assim, conflitos
em seu governo. Mesmo diante desses conflitos, o fato de Getúlio Vargas possuir
uma maleabilidade entre os partidos e a estratégia de alianças tácitas entre as
correntes civis e militares, bem como a declaração favorável a um maior
controle na produção do petróleo, ganha adesões no Clube Militar e no seio do
eleitorado, levando-o, portanto, à vitória eleitoral. Porém, devido ao jogo de
interesses e ganância pelo poder, sobretudo pela escolha de João Neves da
Fontoura para o Ministério do Exterior, provoca-se o enfraquecimento da aliança
entre Governo e militares. Mesmo diante dessas dificuldades, os partidos
conseguem manter a ordem através de suas lideranças, corroborando com eficácia
no processo de tomadas de decisões.
É
sabido que o segundo Governo de Vargas foi muito importante para o progresso do
país, e que, ainda hoje, colhe-se frutos desse Governo, como é o caso da
aprovação dos projetos da Petrobrás, do BNDE, entre outros. Essas instituições
formam a mola propulsora do desenvolvimento econômico do nosso país, fonte de
renda, que com certeza, sem as quais o Brasil estaria em difícil condição.
A
personalização de Vargas no poder de 1930 a 1945 torna-o o segundo homem da
historia brasileira a permanecer consecutivamente no poder por mais de uma
década. Mesmo tendo deixado o poder devido às articulações opositoras, devido a
uma crise de confiança entre partidos e governos, sobretudo com o veto final
das Forças Amadas, Getúlio Vargas volta ao poder a partir de 1948, usando como
“trunfo lisonjeiro o fato de nada ter reivindicado para si”, ou seja, que
estava lutando por uma causa justa a benefício do povo. Portanto, com esse
argumento “o legitimava junto às massas, que haviam ficado alijadas ou
marginalizadas nesse debate.” Estrategicamente, Vargas não se prontificou a
apoiar qualquer candidato, pois, corria o risco de esse nome ser fortemente
aceito em consequência do seu. Ou, caso apoiasse, colocaria em cheque o seu
prestigio correndo o risco de manchar seu nome caso o candidato não
correspondesse aos anseios das massas que o apoiavam.
Sabiamente,
utilizando-se do argumento de que não era dependente frente aos interesses
políticos organizados, portanto, não sendo obrigado a favorecê-los
politicamente.
“Apresentando-se
dessa forma, coloca-se como defensor daqueles que, por suas condições precárias
de vida, não conseguiram ainda fazer-se representar nem merecer a atenção, quer
das agremiações políticas, quer do poder estabelecido. Com essa posição,
apresenta-se como o futuro dirigente que, a partir de uma ação desvinculada das
instituições político-partidárias e de grupos de pressão, irá governar para
interesses não-organizados.” p. 96
Em outras palavras, seu compromisso
passa a ser diretamente com o povo e com a Nação, no sentido de recuperar a
confianças das classes trabalhadoras, inclusive dos trabalhadores rurais,
estendendo a esses, as mesmas vantagens dadas aos trabalhadores urbanos, alem,
de também tentar recuperar o sindicalismo. Lembrando que foi no seu governo que
os trabalhadores deixaram a condição de proscritos e passaram a ser
considerados cidadãos. Em seu ver o trabalhismo era a única saída para os
problemas sociais no Brasil. Portanto, com essa temática, ele recuperava a
confiança das classes trabalhadoras oferecendo-o uma grande vantagem em relação
aos demais candidatos.
Evidentemente, essa postura de
Vargas de afirmar sua “condição de independência frente a interesses políticos
organizados” acabaria por provocar sérias conseqüências no exercício do poder.
Porém, isso não era problema para Vargas, visto seu poder de desarmar
adversários e sua capacidade de persuasão.
“Todo
aquele que trabalha e produz, seja empresário ou simples operário, está
contribuindo para elevar o padrão de vida da comunidade e ampliando as
possibilidades de bem estar geral. A política trabalhista é contrária à luta de
classes, porque na sociedade não há classes e sim homens com os mesmos deveres
e as mesmas necessidades.” p. 99
Para defender os
direitos e as necessidades dos trabalhadores, Vargas defendia a participação
dos mesmos em sindicatos. Porém, deixando claros as subordinações e os limites
dos sindicatos perante o Estado. Nesse contexto, os sindicatos serviriam apenas
como regulador em busca de harmonização de interesses entre empregados e
empregadores evitando a radicalização de conflitos.
Sabe-se que Getúlio Vargas ficou
conhecido como o pai dos pobres devido sua preocupação em oferecer assistência
social à população, melhores salários, qualidade de vida dos trabalhadores da
cidade e do campo, através da conquista da casa própria, melhor alimentação,
escola para seus filhos, hospitais e assistência médica, bem como pensões e
reservas para os dias de velhice.
No
campo do desenvolvimento econômico nacional, Vargas defendia a vinda de
capitais estrangeiros para o Brasil, porém, contrário à entrega de nossos
recursos naturais, de nossas reservas ao controle de companhia estrangeiras,
era, portanto, contra a formação do capital monopolista. Como afirmou:
“[...]
o que é imprescindível à defesa nacional, o que constitui alicerce da nossa
soberania, não pode ser entregue a interesses estranhos; deve ser explorado por
brasileiros com organizações predominantemente brasileira, e, se possível, com
alta percentagem de participação do Estado, evitando-se desse modo a penetração
sub-reptícia de monopólios ameaçadores.” p. 107
Vergonhosamente, é o que não se ver
hoje. Vemos nosso rico país sendo solapado por interesses de políticos que nada
mais são do que meros aproveitadores e que só veem o próprio umbigo, entregando as fontes de nossas riquezas ao
interesse de capitais estrangeiros, deixando, evidentemente, nosso país numa
situação de dependência, sem haver necessidade para isso.
Diante do avanço tecnológico, e, das
descobertas feitas recentemente, como a exemplo do pré-sal, se houvesse mais
representantes da nação com a preocupação e visão getulista, nosso país, com
certeza, seria dentro em breve, uma das maiores potência econômica mundial.
Mesmo diante de tanta corrupção – esse gene maldito deixado como herança para o
povo brasileiro pelos europeus, nosso país é abençoado por Deus. Pois, ainda
vem resistindo às investidas desses miseráveis corruptos. Quem sabe, se a
cultura brasileira fosse semelhante a dos países orientais, punindo severamente
esse tipo de comportamento, nosso país conseguisse se colocar no lugar que de
fato merece o lugar de potência mundial e de orgulho de todo povo brasileiro.
Visto tudo isso, a única esperança que nos resta, está nas mãos de nossos
educadores, que pela orientação divina possa despertar em nossos manipulados
jovens o interesse de libertação, pelo valor da ética e da moral, e, da mais
absoluta certeza que o nosso tão rico e maravilho Brasil pode ser um lugar de
felicidades para todos, e não somente para corruptos. Excluindo-se
evidentemente, desse grupo, os poucos homens e mulheres de bem que alcançaram a
felicidade com muita luta e sabedoria sem jamais ferir os princípios da decência,
pessoas dignas de respeito, que contribuíram e contribuem para o crescimento do
nosso país e felicidade também de muitos pais e mães de família. Aplique-se,
portanto, as punições, àqueles que de fato
merecem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário