Pages

sábado, 23 de agosto de 2014

História da África _Comentário Dissertativo


História da África _Comentário Dissertativo


A História da África é cercada por imaginações, fábulas, mitos, crenças bíblicas, superstições, fraudes literárias, desprezo e racismo ao povo africano. No período medieval, a falta de conhecimento e medo de navegar pelo Oceano, bem como das regiões abaixo do Equador, alimentavam nos europeus as crenças negativas sobre os africanos, como afirma Thiago Stering: “[...] Monstros, terras inóspitas, seres humanos deformados, imoralidades, religiões e hábitos demoníacos, são denominações muito presentes nos relatos e descrições dos viajantes desse período.” Percebem-se nos relatos imaginários ocidentais correspondentes à África, que tais pesquisadores europeus, buscavam conciliar os fatos africanos as suas crenças e superstições.
Portanto, quando se refere aos povos africanos, tendo como base informações mais recentes, percebe-se que alguns relatos são puramente racistas como afirma uma citação de LANGER: “[...] os africanos são considerados uma degeneração dos primeiros povoadores brancos, vindos do Oriente, motivados por uma súbita paralisação da inteligência.” (LANGER, p. 13).
Devido aos monumentos encontrados na África, os pesquisadores europeus alegam que o passado africano contém uma história de povos brancos, e que, os africanos não seriam capazes de fazer tão belos monumentos. Conforme cita Langer: “Totalmente convicto das ideias de que os africanos não poderiam ter erigido monumentos sofisticados na África, Bent perpetuou a ideia de que os fenícios erigiram as enigmáticas construções da Rodésia em tempos bíblicos resgatando as minas de Salomão e a rainha de Sabá.” Outros pesquisadores, em pleno século XX, tentam preservar as crenças de que a África não possuía história, que a história da África só passou a existir após a chegada dos europeus, e de que, tudo produzido lá era apenas uma cópia inferior do que existia em lugares predominantes.  Sendo assim, fica evidente que os europeus tentam, através de seus escritos, impor sua cultura de superioridade ao povo africano, passando a ideia de que eles são inferiores e incapazes.
Estudiosos da antiguidade, como Cláudio Ptolomeu afirmava que o clima insuportável seria o responsável pelas deformações e incapacidades físicas dos povos que ali viviam. E, devido a essas crenças, houve uma forte influência no modo de pensar do período medieval, com crenças e comparações absurdas sobre a áfrica e os africanos, chegando ao ponto de comparar a África com o inferno e os africanos com o demônio, devido à temperatura do local e a cor da pele dos mesmos.
O lugar ocupado por África no imaginário Ocidental é visto por muitos pesquisadores como algo misterioso e digno de reflexão a exemplo da batalha de Alcácer Quibir (batalha dos três reis), - que é recordada de forma lendária –, onde, no espaço de uma hora morreram três reis poderosos, na tentativa de conquistar a áfrica, como afirma o médico judeu de Abd AL- Malik, na citação de Neno Leite:
“É um grande segredo divino que tenham morrido, no espaço de uma hora, três reis dos quais dois eram tão poderosos. E é ainda maior milagre e quase verdadeiro prodígio que um rei morto tenha vencido, em tão pouco tempo, um rei de Portugal. Todos os cavaleiros portugueses, desde o filho do Duque de Bragança até ao escudeiro, foram mortos ou aprisionados. Foi uma coisa espantosa e jamais vista.” (Neno Leite, 2011, p. 4) 
A História da África é de fundamental importância para a historiografia da escravidão no Brasil, começando com as grandes navegações dos portugueses em busca de ouro na África, deu-se início a um comércio de grande lucratividade – a mão de obra escrava, que seria aproveitada pela escassez de mão de obra no período colonial no Brasil, e que, devido a essa mão de obra escrava, seria deixada como herança a riqueza de uma diversidade de culturas que só enriquece o país. Como afirma o site educadores.diaadia[1], numa citação de Araujo:
“Penso, por fim, na ambiguidade desta nossa história de que são vítimas os negros, numa sociedade que os exclui dos benefícios da vida social, mas que, no entanto, consome os deuses do candomblé, a música, a dança, a comida, a festa, todas as festas de negro, esquecida de suas origens. E penso também em como, em vez de registrar simplesmente o fracasso dos negros frente às tantas e inumeráveis injustiças sofridas, esta história termina por registrar a sua vitória e a sua vingança, em tudo o que eles foram capazes de fazer para incorporar-se à cultura brasileira. Uma cultura que guarda, através de sua história, um rastro profundo de negros africanos e brasileiros, mulatos e cafuzos, construtores silenciosos de nossa identidade.” 
 
É lamentável, em pleno século XXI, ainda existirem preconceitos direcionados à pessoas que contribuíram imensamente para a construção da riqueza deste país, através de suas forças de trabalho e diversidades de culturas.


[1] http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/2010/Historia/monografia/3lima_miguel_nonografia.pdf

Nenhum comentário:

Postar um comentário