SILVA, Janice Theodoro da. Colombo: entre a Experiência e a Imaginação. anpuh-Brasil –
associação nacional de história: revista brasileira de Historia, volume 11 nº
21, artigo. Disponível em:
RESUMO - Colombo: entre a experiência e a
Navegação
Fazendo
uma breve análise dos escrito e da vida de Cristóvão Colombo, a autora salienta
a importância do mesmo para o processo de colonização e o que hoje conhecemos
por América.
Colombo
nos deixou uma importante lição através de seus escritos, que nos faz refletir
sobre o significado da experiência e da imaginação praticadas nos séculos XV e
XVI. Diga-se de passagem, que Cristóvão Colombo é um grande exemplo de
empreendedor. Este audacioso navegador de visão futurista e empreendedora,
através de sua crença de que a terra era redonda – crença posteriormente
confirmada através de uma viagem de circunavegação –, deu início a grandes
descobertas pelo Ocidente, buscando alcançar o Oriente, onde seu objetivo era
encontrar as terras denominadas por ele de Índias. Tais escritos nos dá a
certeza de informações seguras a respeito da formação de uma empresa colonial,
formada em sua grande parte, por Portugal e Espanha, com o objetivo de formar
uma economia mundial, e que para tal, muitas vezes foi necessário o financiamento
por parte de capitais oriundos de outros reinos ou cidades, para que pudesse de
fato, haver uma transformação profunda na forma de viver da América. No que diz
respeito às formas de convívio interculturais estabelecidos na América, à
autora salienta que há uma junção de relato histórico e relato literário por
parte dos escrito de Colombo, onde o qual se utilizava da crença e da razão,
indicando a presença do vínculo entre o pensamento medieval e o pensamento
renascentista. Mesmo assim, era levado a observar a realidade, e, através desses
conceitos, chegar a determinadas conclusões, preservando, ainda as crenças em
algumas profecias e ideais de cavalaria – crenças incompatíveis à realidade e à
experiência que ele era o artífice nesse processo de colonização. E, diante de
suas confirmações de que a Terra era redonda, procura, por meio de suas
crenças, encontrar o caminho do paraíso terrestre. Tendo em vista esse paradoxo
(realidade e sonho) utilizado por Colombo, se constitui a apresentação do
universo indígena e herança da nossa ancestralidade cultural. Nesse contexto,
entre veracidade e imaginação, a autora orienta que se deve separar com muita
atenção o que pode ser ciência do que pode ser imaginação, pois, essa mistura
bem elaborada torna-se uma tarefa difícil ao historiador separar o fato
propriamente dito do que é imaginação, ou o que possa ter transformado uma
imaginação em um fato documentado, mesmo que tenha sido um pouco distorcido. Mesmo
havendo uma mistura de veracidade, fantasia ou imaginação, os registros
históricos de Colombo nos possibilita a compreensão histórica de uma época, bem
como a fruição literária de um texto de época. No que se refere ao
descobrimento da América, há certa polêmica onde os críticos são enfáticos em
dizer que a América não necessitava dos europeus para existir porque ela sempre
esteve lá, portanto, não há motivos para se comemorar a descoberta da América. No
que se refere à existência da América, essa crença já existia no imaginário
europeu e de seus contemporâneos, sendo apenas confirmada por Colombo por meio
de suas navegações. Nesse sentido, a primeira compreensão da América aos olhos
do europeu, foi dada por Colombo através da palavra Índia, devido ao fato de
Colombo pensar ter chegado às Índias. Esse encontro de Colombo com as novas
terras denominadas por ele de Índias, ativou sua imaginação em relação ao seu
compromisso com a fé cristã. Pois, o mesmo, acreditava ter chegado ao Paraíso
terrestre, encantado com uma natureza que não se compara com os modelos já
conhecidos, e que, apenas se confirmava a grande obra de criação contida no
relato bíblico. Sendo assim, Cristóvão Colombo foi porta voz de um ideal que acreditava
movido pela fé cristã e a sabedoria dos Reis Católicos, deixando como legado
sua marca personificada de um princípio de poder e exemplo de determinação
através de seu diário como forma de testemunho de tudo que presenciou e que
servirá de trajeto a ser percorrido por inúmeros cronistas na tentativa de
ordenar sua explicação, mesmo tendo algumas fantasias, fruto de suas crenças
literárias herdadas do imaginário europeu. Para a autora, Colombo foi o primeiro
artesão a enunciar informações colhidas além-mar, resgatando-se antigas crenças
pagãs presentes na história europeia e que passavam a ser referenciais para a
compreensão do que se supunha ser a nossa história indígena, simbolizando algum
conceito moral ou doutrinal, tendo como suporte um universo desconhecido. Nesse
contexto, as informações contidas no texto de Colombo, não envolve hostilidade,
embora nos informe sobre a violência, onde, nestes primeiros documentos que
contam a história da América, caracterizam a destruição dos indígenas e sua
cultura. Portanto, como afirma a autora,
o primeiro artífice desse nosso patrimônio desta nossa capacidade de convívio
intercultural, foi Cristóvão Colombo ao transformar um mundo desconhecido em um
universo de semelhanças.
Nenhum comentário:
Postar um comentário